sexta-feira, 10 de maio de 2019


Trinta anos depois ainda sinto saudades, ainda doí saber que ele não está mais lá, em Laguna, esperando por nós!Ele me ensinou tudo o que eu precisava, a olhar para o céu, a curtir a força de uma tempestade chegando, a respeitar o mar e a amá-lo profundamente!
Provou com atitudes a fazer da fé em Deus a minha força e sustentação, mas nunca incentivou a crença de que somente a minha religião era capaz de conter a imensidão que ele é!
Ele só não me ensinou a esquecer, a não sentir sua falta, uma lacuna tão grande, um pedaço que nunca mais será preenchido!
Não pude viver com ele a minha maternidade, não pude colocar meus filhos em seu colo!
Ele não foi o que se pode chamar de avô babão! Mas os três teriam tanto a conversar!
Hoje será um dia de muitas saudades, como todos os outros o foram, nestes 30 anos!
Te amo meu Pai....e te amo minha mãe, porque a ti coube ser as duas coisas na minha vida! A energia do masculino e do feminino, unidos numa só criatura, amor e sofrimento, cuidado e rigor excessivo, guerra e paz dentro de mim!
10/05/19

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019



Amigo não é só para se guardar no lado esquerdo do peito.
É no corpo inteiro. E é nos braços quando os estendemos para aquele abraço, longo e demorado,  enorme, como a saudade de não vê-lo a tanto tempo.
Amigo,
É para se fazer o biquinho na hora do beijo .Aquele que se dá, cheio de surpresa e felicidade por reencontrá-lo, quando não se sabe mais o que dizer ou fazer para agradá-lo!
Um beijo mais beijado do que se dá num filho é o que se dá no melhor amigo ou na melhor amiga!Porque eles vieram antes e sabem sobre nós muito mais  que  filhos ou amantes!
Amigo,
É para se correr ao encontro dele  contando a última que nos aconteceu!E  também é para se jogar  no mar juntos, com roupa e tudo , pular as sete ondas, mesmo sem pileque!
E quando eles partem inesperadamente, a amizade não precisa mais de um corpo, e persiste teimosa, nas lembranças que ficam.
Não nos damos conta da saudade, nem da falta que nos fazem.
Até que nos recordamos deles.
Neste momento, as lembranças deles nos espetam o coração feito espinho de roseira!
E lá pelas tantas da vida, quando os amores se vão e os filhos trilham os seus caminhos, com o tempo, novamente, a saudade se faz presente e nos aquece nos momentos mais frios de nossa existência!
É quando eles ou suas lembranças nos cantam a nossa canção para nos lembrar de quem somos e do que já vivemos.
Sorte e encanto daqueles que podem abraçar um amigo por inteiro. Tristes aqueles que só o fazem em suas lembranças.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

 O que foi
o que poderia ter sido
o que não foi,
Agora, tanto faz!
Estou indo para a casa,
de onde nunca deveria ter saído
De onde tudo deveria ter partido!
E foi tanto o que eu amei
E foi demais o que eu sofri
Que anestesiou-se a dor em mim.
E quando isto aconteceu
Parti....

Nunca mais voltei de onde vim,
Nunca mais doeu o amor em mim!

Minha cor é o vermelho
não é o rosa,
muito menos, o salmão!
Vermelho é a paixão
Porque sem ela
nada prá mim vale a pena!
Não consigo estar em paz
vivo fervendo!
Não conheço o meio termo,
nem me satisfazem as mornas emoções,
muito menos me apraz
a estabilidade nas relações!

sábado, 29 de novembro de 2014

AMOR ENLUARADO
Era combinado,
Lá pelas tantas ela ouvia o sinal
Pulava a janela e lá se iam os dois
Naquele cavalo alado
Repletos de sonhos e esperanças
Que só a juventude serve
Em bandejas de prata cor de luar!
Numa destas noites de lua muito cheia
Cheia de tudo, de sonhos, esperanças,
Do um amor imenso
Que nutriam um pelo outro
Sem ao menos o saber
Aconteceu o beijo!
Espontâneo, inesquecível e profundo,
Como todo beijo sob a luz da lua deve ser!
Depois disto, ele partiu em seu cavalo alado
Seguiu o rastro da lua

E no luar se perdeu!

quinta-feira, 10 de abril de 2014

FELIZ ANIVERSÁRIO!

Aniversário é, por excelência, uma palavra feliz!
Excetuando aquelas pessoas que costumam dizer:Hoje é aniversário da morte do fulano ou da fulana, todos pensam com alegria quando ouvem esta palavra e eu também!
A família, os amigos, a própria pessoa, se sente diferente neste dia, festejando com alegria a data em que aquela determinada pessoa passou a coexistir com todos.
Esta é uma data especial para mim, porque este carinha que aniversaria hoje foi tudo de bom na minha vida!


Não posso nem contar os momentos felizes, os mais ou menos, os tristes, que desfrutamos lado a lado, olho no olho, JUNTOS!
Nas melhores lembranças da minha juventude ELE estava presente!
Edinho ontem hoje, Edson Souza!!
Parabéns!
Tenho certeza que o mundo ficou bem melhor depois que vocês nasceu!
Pena que a vida nos separou fisicamente e não pude estar ao teu lado em teus piores momentos, mas tudo bem!
Tu também não estavas comigo nos meus! ahahaha!
Sinto orgulho de ser tua amiga, que Deus te proteja sempre, que o conforto dele sempre te alcance!!!
És "o cara"! Excelente filho, irmão dedicado, amigo carinhoso, bom ouvinte, enfim: tudo de bom!
Abração!

domingo, 12 de janeiro de 2014

MÉDICO DA ALMA
            Em meados deste ano, uma grande amiga me conta aos prantos, que seu netinho de três anos, se encontra hospitalizado, mais uma vez, após três ou quatro internações, sem que os médicos consigam fazer um diagnóstico, deixando a família e amigos em pânico.
            Este relato me trouxe a lembrança uma situação semelhante que passamos com nosso filho mais novo. Com três meses de idade ele passou a fazer uma infecção de 15 em 15 dias. Penamos por três longos anos, idas e vindas a consultórios, exames e mais exames, cada uma mais assustador do que o outro, sem que qualquer diagnóstico próximo da realidade fosse apresentado. Até que um dia, após três anos de muita apreensão, foi identificada a causa: simplesmente Amígdalas e Adenoides muito grandes, com a cirurgia realizada, problema resolvido!
            Quando falava com esta amiga ao telefone, me veio à lembrança o Dr. Paulo Carneiro, médico que conheci, nos meus tempos de infância, em Laguna.
            Época em que, ainda sem o compromisso dos bancos escolares, passava o tempo brincando, até as quatro horas da tarde, quando invariavelmente, corria ao portão de madeira, na frente de casa, e lá ficava esperando meu pai voltar do trabalho, no Porto de Laguna o que acontecia, rigorosamente, todos os dias pouco depois deste horário.
            Eu sorria contente, quando já conseguia avistá-lo, vindo com seu andar cadenciado, fisionomia sempre séria, a garrafa de café balançando na mão. Eu abria o portão e corria para os seus braços. O seu rosto então se iluminava com um sorriso lindo. Ele me erguia do chão, dava um beijo estalado na minha bochecha me rodopiava em seu colo, só um pouquinho. E vínhamos juntos, de mãos dadas, às vezes eu lhe contava algo, às vezes ele. Mas também vínhamos em silencio. Contudo, numa certa tarde, percebi já de longe, que havia algo errado.
             Certo dia, quando fui esperá-lo, notei que a garrafa vinha segura com firmeza embaixo do braço e o seu passo estava muito mais apressado, sua fisionomia bem mais fechada e ele sequer se abaixou para me rodopiar em seu colo, como sempre fazia.
            Ele nada falou, apenas segurou a minha mão com firmeza e entrou portão adentro, chamando por minha mãe, e me levando quase de arrasto:
-Maria, Maria!
- O que foi meu velho? O que tens?
- Manda chamar o Doutor Paulo, pelo amor de Deus!
            O medo mostrou novamente sua cara em meu coração. O rebuliço foi geral, não lembro qual dos meus irmãos foi requisitado para tal tarefa, mas até pareciam baratas tontas, correndo para um lado e para o outro.
            Fiquei esquecida naquele turbilhão, e muito silenciosamente, fui até o quarto espia-lo. Ele rolava na cama de um lado para o outro dizendo desesperado, com a mão na cabeça:
-Ai! Ai Meu Deus, meu Pai, que dor!
            A maioria das pessoas que eu conhecia exclamava Meu Deus. Ele ainda acrescentava Meu Pai! Eu sempre achei muito bonito e sentia uma coisa boa dentro de mim. Às vezes, esta exclamação saia junto com um suspiro fundo.
            Aproximei-me pé ante pé e como sempre tivera carta branca naquela cama, nela me encarapitei e tentei tocá-lo. Para meu espanto, fui afastada por sua mão crispada e ele mandou que eu saísse. Minha mãe correu em meu socorro e disse:
-Vai prá lá menina, o pai agora não pode!
            Agora, já não era mais medo. Era pavor! O meu pai, sempre tão forte, meu esteio e segurança, estava doente! Corri para perto de minha cachorrinha e fiquei sentada na calçada, entre apavorada e pensativa, coração apertado e sem saber exatamente o que fazer!
            Resolvi voltar para dentro de casa e fiquei na sala que ficava ao lado do quarto, sentada no sofá, ouvindo os seus gemidos, com o coração cada vez mais apertado. Até que, finalmente, ouvi as vozes dos meus irmãos chegando e a porta da frente se abriu com um estrondo.
            O vento nordeste pareceu entrar junto com aquele personagem. A porta da sala, que dava para a cozinha bateu, anunciando sua chegada. Era um senhor baixinho careca e barrigudo, com uma maleta de couro, típica dos médicos, balançando prá lá e prá cá, igualzinho à garrafa de café. Ele entrou como se a casa fosse dele e exclamou, com uma voz assaz anasalada:
- O que é Roldão? Que é que tu tais de manha em cima desta cama homem?
-Ai Doutor Paulo! Não sei! É muita dor!
            O resto do diálogo eu não pude ouvir. Novamente fui retirada do recinto.
            Quando as coisas se acalmaram, a dor passara, eu já sentada em seu colo perguntei quem era aquele médico, e ele me disse sorrindo e aliviado:
-É o Doutor Paulo, minha filha! Quando escutei sua voz, metade da dor sumiu!
            Eu fiquei espantada com a afirmação. Mas meu coração gravou aquela frase. Creio que foi neste instante que primeiro compreendi o que era a palavra confiança, sem o saber. Muitas histórias eu ouvi sobre aquele medico aquela tarde, enquanto ganhava o meu colinho antes da janta. Sobre como ele era bom para os pobres, como era excelente político, como tantas vezes saíra de sua casa, à noite, para ir ao morro do cemitério, onde morávamos atender um de nós ou nossa mãe em trabalho de parto, inclusive do meu, quando já morávamos na casa do Mar Grosso! Fiquei tão embevecida com aqueles relatos que, de imediato, também estabeleci com ele uma relação de confiança.
            Este médico, o Doutor Paulo Carneiro nesta época, com a idade próxima do meu pai, ainda me tratou por um bom tempo. Adorava ele, pois sempre me receitava um remédio com gosto de chocolate, o Ambrasinto.
            Um dia, não sei por que acordei na arca de Noé (uma cama enorme onde dormiam os meus irmãos quando eram pequenos) muito fraca, sem conseguir me levantar. Esta minha indisposição que no início fora tratada como normal, se estendeu até o horário do almoço. Por coincidência, neste dia recebemos em nossa casa a Noêmia, uma visitante ilustre, filha do Compadre Joca, da Caputera. Quando chegou e soube que eu não estava bem a Noêmia prontamente foi até o quarto me ver. Após dirigir-me aquele olhar carinhoso costumeiro e me abraçar forte (como era bom o seu abraço) eu consegui ouvir, quando ela cochichou no ouvido da minha mãe:
- São as regras dela que querem descer e não conseguem.
            Não sei por que, fiquei mais confiante depois de ouvir esta explicação. Com três irmãs adultas, e muitas amigas que já “eram mocinhas” eu já sabia que um dia também sangraria como elas, todos os meses, embora o assunto fosse tratado como em todas as casas: não era discutido, nem explicado, simplesmente acontecia!
            No dia seguinte, fui levada pelo meu Pai até a casa do Doutor Paulo e lá, fui recebida com muito carinho, como se fosse uma visita ilustre. Dona Ludmila, sua esposa, nos recebeu atenciosamente, eu me senti a vontade.
            Quando ele colocou o jaleco, dirigiu-se a mim sorrindo e disse, com sua voz fanha, que eu já gostava:
-Vem aqui menina, quero te ver.
            Olhou para o meu pai e disse:
- Nada que uma vitaminazinha A não resolva!
-É ambrasinto? Eu perguntei brincando.
            Os dois riram muito e disseram que não!
            Dali a algum tempo menstruei. A Noêmia não era o Doutor Paulo, mas também sabia das coisas!
            Doutra feita, bem mais tarde, comecei a ficar com um vergão na pele, cada vez que me coçava ou tocava. Novamente fui atendida por ele, em sua casa, com toda deferência. Nesta época ele ficava durante o inverno no Rio de Janeiro e o verão em Laguna. Lembro muito bem da sua fisionomia bem mais velha, com os óculos na ponta do nariz, chegou bem perto do meu corpo, e riscou a minha barriga com o dedo indicador. O vergão imediatamente se formou. Ele não disse nada. Escreveu o nome do remédio no formulário de receitas e nos fomos para casa.
            Falando com minha amiga Miriam, relembrando Igor e Dr. Paulo, fiquei pensando ao colocar o fone no gancho:
- O que era ensinado na faculdade de medicina que ele cursou que hoje não se ensina mais? Não existiam tantos exames, máquinas superpoderosas, e ele conseguia dar o diagnóstico corretamente.
            Será porque os médicos de hoje tratam “pacientes” e não mais “pessoas”?
            Ou será que isto ocorre porque eles, os médicos, foram transformados em meros vendedores de remédios?